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sábado, 8 de dezembro de 2012

O Olhar de Sheila Leirner sobre a 30ª Bienal Internacional de São Paulo




Olá, colegas, arte-educadores! A 30ª Bienal Internacional de São Paulo - A Iminência das Poéticas - termina domingo, 09 de dezembro de 2012! A mostra agradou a alguns, não tanto a outros, divertiu a muitos e fez outros pensarem... Compartilho, aqui, uma interessante reflexão de Sheila Leirner, crítica de arte, brasileira, morando há alguns anos na França, e curadora de duas importantes Bienais de São Paulo, as de 1985 - 18ª Bienal - e 1987 - 19ª Bienal (acessem a página do grupo de Leirner no Facebook: "18ª e 19ª Bienal de São Paulo: eu estive lá!").  

SEM OUSADIA , PELO CONFORTO

Crítica de Sheila Leirner originalmente publicada no Caderno 2 do jornal O Estado de S. Paulo em 4 de novembro d
e 2012.

Exposição erra ao apostar em noções antigas e corriqueiras

30ª Bienal de São Paulo: A iminência das poéticas, Fundação Bienal, São Paulo, SP - 07/09/2012 a 09/12/2012

Paradoxalmente, a boa vontade com que a 30ª Bienal de São Paulo foi recebida pelos brasileiros poderia ser explicada pelas mesmas reservas do crítico do jornal Le Monde e dos artistas Gilbert e George: "A exposição é trivial, a sua visita causa uma sensação de familiaridade(...) temos a impressão de que nada mudou nos últimos 30 anos". De fato, ao contrário da estimulante Documenta (13) e da formidável Trienal de Paris deste ano, esta é uma mostra confortável, lisa e sem choque, com a sustentável leveza do déjà vu e sem a fricção que a descoberta provoca. Só pode agradar.

Arthur Bispo do Rosário, um dos artistas da 30ª Bienal

A repercussão nacional parece nascer de um "consenso" construído mais por uma vontade do que pela realidade. Contudo, o crítico francês deixa claro que a bienal é "tristemente" trivial, que a sensação de familiaridade é "menos reconfortante do que decepcionante"; e os artistas ingleses acrescentam que "é uma perda de tempo, todos estão apenas revivendo o passado; se fosse uma exposição de 1971 seria muito boa".

A outra razão para a boa acolhida deste conjunto "passadista e corriqueiro" e de seu programa e estrutura conceitual pretensiosos mas sem grande imaginação, talvez seja a condescendência com que se costuma julgar um empreendimento miraculado, são e salvo da derrocada financeira que quase o impediu de se realizar. Sobretudo num País onde a cultura não é um bem inato, precisa ser defendido e adquirido com enorme esforço. Dá para entender, porém... adeus objetividade!

O "conforto" tem um preço alto e aqui ele é proporcional à falta de cumprimento da vocação primordial da Bienal, que é ser o verdadeiro barômetro, geralmente desconfortável, da situação artística internacional. O papel desta "antifeira" tem a obrigação de ser revelado não apenas a partir da reflexão sobre os caminhos artísticos, mas sobretudo da prática mesma de torná-los compreensíveis para o público.

Sheila Leirner, numa foto de seu Facebook...

Público que, diga-se de passagem, no sábado e domingo seguintes à inauguração, já estava reduzido a algumas dezenas de "gatos pingados". É possível que os que começavam a visita pelo terceiro andar, vissem o seu entusiasmo cair proporcionalmente ao declive das rampas vazias. Por mais que estivessem dispostos a compreender o que contemplavam e que percebessem as óbvias relações entre as obras e algumas analogias de linguagem interessantes, a sua curiosidade provavelmente era neutralizada pelo caráter descritivo e desapaixonado do percurso. Como se a sua trajetória tivesse sido formada pela acumulação de um "especialista", mais com o objetivo de narrar ou classificar exemplos do que de provocar vivências.

A pobre e exangue expografia acentua o olhar "científico" do organizador. Sem energia, impacto e interpelação, não há compreensão para o leigo, apenas absorção de informações. Com exceção de algumas poéticas que justificam o título da mostra, simbolizadas pelo núcleo Arthur Bispo do Rosario. Mas este não tem nenhuma relação - como quer o curador - com o formalismo e a elegância enganosa do "estilo" Sheila Hicks de tapeçaria. Teria muito mais a ver com a experiência genuína de uma Eva Hesse. A mostra Bispo do Rosário, ademais, não possui o espaço que merece. Está espremida, num local exíguo, onde não se consegue distância ou voltear as peças extraordinárias sem esbarrar em alguém.


Diante deste e de outros exemplos - como o desequilíbrio na maciça (e excessiva) presença fotográfica, o peso dado aos artistas mortos e/ou históricos (entre os quais Waldemar Cordeiro, com obras pouco representativas), a falta de consistência da maior parte dos artistas contemporâneos -, a hierarquia dos espaços, a distribuição e o número aleatório de obras para cada artista ficam ainda mais absurdos. Artistas manifestamente medíocres com "minirretrospectivas" como se fossem "salas especiais", artistas maiores jogados em áreas abertas e vice-versa. É quase um feito: a primeira vez que se vê uma graduação e uma ordem distributivas sem sentido e sem leitura. Ao contrário do que se afirmou, fora das relações analógicas que saltam à vista, não se percebe "autor e pensamento por trás".

Centro. O grande equívoco da 30ª Bienal, no entanto, é ter medo da complexidade, não se colocar dentro dos paradoxos do contemporâneo, não aceitar os rastos da ambiguidade e desconhecer totalmente o fascínio que pode exercer. Pode-se dizer que Luís Perez Oramas é o extremo oposto de Okwui Enwezor ou de Carolyn Cristov-Bakargiev. O erro desta Bienal é não tomar em conta a evolução do mundo da arte de um ângulo além da própria criação, aquele que é simplesmente lógico do ponto de vista da geopolítica e da geografia dos poderes e das trocas.


A noção de centro na arte, que durante muito tempo foi essencial, está morta. Quem vem de onde? Não são mais as obras que assinalam isto, nem os materiais, nem as técnicas, e muito menos as poéticas. Não há mais tendências plásticas, estilos que estejam na moda em Nova York ou Berlim. Existe um assunto de reflexão coletiva, a circulação permanente de referências, imagens, ideias e interrogações em todos os continentes.

É inútil ir procurar signos de especificidades locais e ocupar 50% da bienal com artistas latino-americanos. Hoje é até mesmo desnecessário inscrever a produção em passados históricos particulares, pois ela participa do mesmo e generalizado presente. No campo artístico - tanto quanto o econômico, político ou religioso - em 2012 passa-se finalmente ao regime da mundialização, como já foi previsto nas últimas décadas. É o fim do centro e das periferias. E é o fim das bienais renitentes que, como a 30ª Bienal de São Paulo, não mudam de modelo e, portanto, não conseguem mais espelhar a sua época.

SHEILA LEIRNER É CRÍTICA DE ARTE, FOI CURADORA DAS BIENAIS DE SÃO PAULO DE 1985 E 1987

Jornal Estado de São Paulo - 04-11-2012


Luis Pérez-Orama, curador da 30ª Bienal

NOTA: O texto em PDF reproduzido do original (de Sheila Leirner): http://sheilaleirner.com/textos/C2SL-4-11-2012.pdf


Postado por Imaculada Conceição M. Marins

domingo, 9 de outubro de 2011

A vanguarda da arte moderna e a loucura retrógrada do olhar nazista (sugestão de trabalho)



Marc Chagall


A vanguarda da arte e a loucura retrógrada do olhar nazista

Encontrei a referência a este artigo, "Arte Degenerada", da Enciclopédia Itaú Cultural - Artes Visuais(1), no blog DegenerArte(2), de Eduardo Santos, professor de nossa rede (SME-RJ), da E.M. Praia da Bandeira, na postagem em que explica o porque do título de seu blog, "Entenda... Por que DegenerArte?"(3). Boa sugestão de texto para trabalharmos com os nossos alunos! É o retrato de uma época em que a insensatez humana tomou ares de racionalidade contra toda razão, toda ética e  sensibilidade humana...



ARTE DEGENERADA

Outros Nomes: Entartete Kunst


Marc Chagall - Solitude

Definição

Em 19 de julho de 1937 é aberta na cidade de Munique, na Alemanha, a exposição que marca o ápice da campanha pública do regime nazista contra a arte moderna: a mostra internacional "Arte Degenerada". Organizada pelo presidente da Câmara de Artes Plásticas do reich, Adolf Ziegler, a exposição reúne cerca de 650 obras entre pinturas, esculturas, desenhos, gravuras e livros, provenientes de acervos de 32 museus alemães, consideradas artisticamente indesejáveis e moralmente prejudiciais ao povo pelo governo nacional-socialista alemão (1933-1945), liderado por Adolf Hitler. Os nazistas classificam como "degenerada" (entartet) toda manifestação artística que insulta o espírito alemão, mutila ou destrói as formas naturais ou apresenta de modo evidente "falhas" de habilidade artístico-artesanal. Em termos visuais, é degenerada toda obra de arte que foge aos padrões clássicos de beleza e representação naturalista, em que são valorizados a perfeição, a harmonia e o equilíbrio das figuras. Nesse sentido, a arte moderna, com sua liberdade formal de cunho fundamentalmente antinaturalista, é considerada em sua essência "degenerada".


Kandinsky - São Jorge


A classificação de algumas manifestações artísticas como degeneradas, em oposição a obras "sadias" (em alemão gesund), é anterior à fundação do próprio Partido Nacional-Socialista e remonta a movimentos culturais racistas na Alemanha do fim do século XIX. Como termo técnico oriundo da biologia, entartet é utilizado para descrever determinados animais ou plantas que foram tão modificados a ponto de não ser reconhecidos mais como parte de uma espécie. A transposição para a esfera da cultura se dá em estudos pseudocientíficos, como o Entartung [Degeneração ou Corrupção], de Max Nordaus, publicado em 1892, no qual o autor defende a superioridade da cultura tradicional alemã ao mesmo tempo que difama as obras dos simbolistas e dos pré-rafaelitas, procurando provar o quanto são degeneradas ou decadentes, segundo os parâmetros de uma arte considerada espiritualmente "saudável". Com o florescimento da arte moderna na Alemanha no decorrer da década de 1920, teses como a de Nordaus têm a popularidade renovada. São desenvolvidos estudos para provar as relações entre raça e estilo artístico, que servem para consolidar a posição da pintura de gênero realista alemã do século XIX como a expressão mais nobre da raça ariana.



Modigliani


Em 1928, utilizando-se das idéias de Nordaus, o arquiteto e teórico racista Paul Schultze-Naumburg publica o livro Kunst und Rasse [Arte e Raça], no qual aparece pela primeira vez a associação da arte moderna com o termo entartet. O autor coloca lado a lado fotografias de pessoas deformadas ou doentes mentais e pinturas de importantes artistas modernos como Amedeo Modigliani (1884 - 1920), Karl Schmidt-Rottluff (1884 - 1976) e Otto Dix (1891 - 1969) a fim de provar visualmente o caráter "degenerado" da produção moderna. Assim, quando Hitler passa a governar o país, em 1933, o uso dos adjetivos "degenerado" e "sadio" já está suficientemente estabelecido no meio cultural como norma de diferenciação entre a arte de vanguarda e a arte tradicional.



Modigliani

A campanha nazista contra a arte moderna começa com a tomada de poder. Em 1933, Hitler fecha a Bauhaus e promove a primeira exposição difamatória da arte moderna em Karlsruhe e Mannheim. Segue-se a cassação de diversos curadores, diretores de museus e artistas-professores como Willi Baumeister (1889 - 1955) e Otto Dix. Os artistas começam a emigrar. Livros são queimados em praça pública e inicia-se um verdadeiro processo de expropriação arbitrária pelos nazistas dos acervos dos museus: mais de 16.500 obras de arte consideradas degeneradas são confiscadas, muitas das quais foram destruídas ou perdidas. Obras de valor - como Auto-Retrato (1888) de Vincent van Gogh (1853 - 1890) ou Acrobata e Jovem Arlequim (1905), de Pablo Picasso (1881 - 1973) - são vendidas num leilão em 1939 na Galeria Fischer, em Lucerna, Suíça, e revertidas em divisas para os nazistas.



Van Gogh: Autorretrato (1888)


Nota-se que o comportamento político ou religioso dos artistas passa a não importar, sendo perseguidos todos aqueles identificáveis com qualquer corrente oposta às diretrizes artísticas nacionalistas e de cunho realista estabelecidas pelo governo. Na mencionada exposição de 1937, em Munique, são apresentados trabalhos tanto dos expressionistas alemães quanto de Henri Matisse (1869 - 1954), Picasso, Georges Braque (1882 - 1963), Piet Mondrian (1872 - 1944), El Lissitzky (1890 - 1941), Paul Klee (1879 - 1940), Marc Chagall (1887 - 1985), Wassily Kandinsky (1866 - 1944), Otto Dix, Max Ernst (1891 - 1976), George Grosz (1893 - 1959) e outros. Lasar Segall (1891 - 1957), que emigra para o Brasil em 1923 e naturaliza-se brasileiro, é representado com seis trabalhos, dos quais apenas dois podem ser vistos ainda hoje. Sucesso absoluto de público (mais de 2 milhões de visitantes), a exposição viaja por diversas cidades alemãs e austríacas até 1941.



Kandinsky

NOTAS:
(2) Blog da E.M. Praia da Bandeira: DegenerArte: http://degenerarte.blogspot.com/
(4) Imagens: pesquisa Google



Marc Chagall


Postado por Imaculada Conceição M. Marins

terça-feira, 24 de maio de 2011

ARTE CONTEMPORÂNEA E EDUCAÇÃO



Vaso Ruim - Nuno Ramos



ARTE CONTEMPORÂNEA E EDUCAÇÃO


Celso F. Favaretto *



SÍNTESE: Hoje, é imperativo recolocar o tema da função da arte na
educação, tanto nas instituições escolares como em atividades culturais
de museus, institutos e fundações, tendo em vista a dificuldade de se
manter a ideia de formação, derivada da Bildung, como fundamento de
concepções e práticas educativas. Consideramos que o essencial é o
acesso à experiência estética a partir do contato com a atitude e o trabalho
dos artistas, portanto, como pensar e propor as mediações estratégicas
para compatibilizar os dois termos da equação: educação e arte? Tanto
se partimos das obras de arte tradicionais e modernas, como da
generalização estética contemporânea – inclusive a determinada pela
indústria da cultura e garantida pelo sistema e pelo consumo –, as
propostas sobre a relação entre arte e educação, consensuais até pouco
tempo, vinculadas ao ideal de formação, não satisfazem mais as
expectativas de uma educação que enfrenta a heterogeneidade do saber,
da sensibilidade e da experiência contemporânea. Desta maneira, os
princípios do talento e da criatividade, até agora hegemônicos, que
informavam sobre as concepções e práticas da arte na educação,
demonstram-se insatisfatórios. Entretanto, ainda não está claro o que
pode ser associado a eles para se superar as dificuldades atuais.
Palavras-chave: arte contemporânea; experiência estética; educação
como transformação; mito da criatividade.


Medusa, after Caravaggio - Vik Muniz



Com frequência saem à tona interrogantes sobre a função da
arte na educação. De modo inicial, só se pode responder de modo
insatisfatório, pois se trata de perguntas pragmáticas. Não é possível ir
direto ao assunto, pois o que está implícito é a crença no caráter formativo
da arte, o que hoje não se tem claro e precisa ser devidamente justificado.
De fato, fala-se no papel da arte na educação porque supõe-se a
existência de um valor que vem de certa mitologia da arte, afirmada de
muitas maneiras: pela ideia, instalada há bastante tempo entre as reflexões sobre educação, de que a arte é componente essencial da formação humana e que isto deve ser garantido desde cedo; porque existe uma instituição, a escola, que garante a legitimidade da arte na educação; também, e de modo pregnante, porque desenvolveu-se uma demanda de mercado que recobre e infla a imagem cultural da arte. Mas, se há uma pergunta continuamente reiterada pelos educadores, é porque existe um problema, uma inquietação e alguma confusão sobre a composição ou intersecção dos dois termos da equação, educação e arte.
A resposta a essa pergunta exige, pois, o entendimento daquilo que se
determina na atualidade entre as duas práticas: a própria ideia de
«formação». Assim, é preciso fazer outras perguntas antes de se asssumir as
ideias consensuais que dizem respeito tanto à consideração – unânime –
de que a arte tem uma função na educação, através do papel que
desempenha, e de que ela é indispensável à formação integral do
educando, quanto à própria maneira de se entender o que quer dizer arte
e o que quer dizer formação, para que a suposta contribuição de uma à
outra tenha a importância que se lhes atribui. (CONTINUA...)



NOTAS:

(1) Sugestão enviada por e-mail pelo prof. Jabim Nunes do Núcleo de Arte Grande Otelo / 6a.CRE: http://nucleodeartegrandeotelo.blogspot.com/
(2) *C. F. FAVARETTO - REVISTA IBEROAMERICANA DE EDUCACIÓN. N.º 53 (2010), pp. 225-235: Texto em PDF: http://www.rieoei.org/rie53a10.pdf




Postado por Imaculada Conceição M. Marins

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

EXPERIÊNCIAS NO ENSINO DA ARTE (I)

Bill Viola


Ensino da arte: Um espaço poético


Por Greice Cohn (Arte educadora)




Memorial da obra
Este vídeo descreve um método de trabalho desenvolvido no ensino da arte e se apresenta como um arquivo audiovisual do conjunto de práticas vividas numa escola pública do Rio de Janeiro, onde o encontro com a arte contemporânea, permeado pelo desenvolvimento de parcerias entre escola, artistas e galeria, nos permite apresentar o ensino da arte como um espaço poético.

Iniciamos, em 2008, uma parceria entre o Colégio Pedro II e a Galeria Largo das Artes, que têm possibilitado experiências significativas para alunos, artistas, curadores, galeristas e professores. Esse vídeo se apresenta como uma memória deste processo que envolve a interação entre diferentes contextos do sistema da arte (produção, formação, difusão), cuja mais recente realização foi a visita dos alunos à Exposição Jaqueline Vojta e os desdobramentos desta experiência.

Poesia e memória são questões presentes no trabalho de Jaqueline, então estabelecemos a história familiar como elemento de ligação entre sua obra e a produção dos alunos. Os alunos iniciaram um processo de investigação e evocação de memórias, histórias, tradições e hábitos familiares para, em seguida, elaborarem formas poéticas que traduzissem e/ou problematizassem essas imagens resgatadas. O resultado foi a Exposição “Famílias, Memórias, Poéticas”, e o vídeo apresenta depoimentos dos alunos e dos profissionais que visitaram a exposição, as obras expostas e outras realizações anteriores no âmbito da parceria mencionada.

Escolhemos o vídeo como linguagem para arquivar uma poética em construção pelas afinidades que as imagens em movimento têm com o pensamento construtivo e processual. Uma obra videográfica que traz no seu corpo o desenvolvimento de uma poética visual é uma imagem que aborda outra imagem, e não um veículo reprodutor transparente, mas uma linguagem visual à parte, que exerce seu potencial representativo.


Verbete biográfico
Greice Cohn é graduada em Licenciatura em Ed. Artística – Artes Plásticas – EBA/UFRJ (1985), Especialista e Mestra em Tecnologia Educacional – NUTES/UFRJ (2004), cuja pesquisa buscou novas abordagens de materiais educativos em vídeo para o ensino da Arte. Tem formação profissional também na área de Artes Cênicas, na Casa das Artes de Laranjeiras (1987).

Leciona Arte desde 1984, na rede privada e pública, e é professora de Artes Visuais do Colégio Pedro II desde 1994.

É, desde 2007, Coordenadora Pedagógica do Pólo Arte na Escola/UFRJ, onde coordena grupos de estudos e ministra cursos de Extensão. Tem artigos publicados em diversas revistas e Anais de Encontros de Arte-Educação nos quais tem participado.

Ficha técnica
cinegrafia: antonio gonzalez
edição: daniel terra, greice cohn
Direção: greice cohn

depoimentos
martha pagy • curadora e dir. largo das artes
miguel sayad • dir. largo das artes
flávio colker • artista
jaqueline vojta • artista
alunos: gabriel soares, daniel bressan, guilherme de carvalho, caio varela, carolina saldanha, daniele ximenes, juliana de paula, lina neves.


NOTAS:

(1) Esta é a primeira de uma série de postagens que pretendemos colocar aqui, no blog Conexão das Artes SME-RJ, sobre experiências relevantes em Arte-Educação (no Rio, no Brasil, no mundo)!

(2) Créditos da postagem original: Canal Contemporâneo: Salões & Prêmios:


Postado por Imaculada Conceição M. Marins

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

O ENSINO DA ARTE NAS ESCOLAS DO SÉC. XXI




O ENSINO DA ARTE NAS ESCOLAS DO SÉCULO XXI


“Não há clareza por parte de muitos professores, diretores e gestores de como se planeja e operacionaliza o currículo na área de arte”
Rosa Iavelberg




Por Marcus Tavares


No dia 15 de julho, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a lei 12.287, substituindo o parágrafo segundo do artigo 26 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB). O novo texto ratifica a obrigatoriedade do ensino de arte nas escolas de Educação Básica (Educação Infantil e Ensino Fundamental e Médio), “especialmente em suas expressões regionais”. O objetivo é promover o desenvolvimento cultural de todos os estudantes.
Mas afinal, o que significa esta nova redação? O que é arte na escola? Arte e mídia têm a ver? A revistapontocom entrevistou, por e-mail, a professora Rosa Iavelberg, professora de arte da graduação e pós-graduação da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP).
Segundo Iavelberg, uma das autoras dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) na área de artes, “não há clareza por parte de muitos professores, diretores e gestores de como se planeja e operacionaliza o currículo na área de arte. Na prática, com exceção feita, infelizmente há poucas experiências, mas que felizmente ocorrem em número crescente”.



Confira as ideias da professora:

revistapontocom – Qual é o impacto da promulgação da nova lei nas escolas?
Rosa Iavelberg - Foi feita alteração na lei que aperfeiçoa o ensino de arte obrigatório na Educação Básica (Educação Infantil, Ensino Fundamental e Médio). No caso, foi proposta pelo presidente Lula alteração na redação do §2º do artigo 26 das Diretrizes e Bases da Educação Nacional que fala da obrigatoriedade do ensino de arte na Lei 9.394 de 1996. A primeira redação trazia o seguinte texto: O ensino da arte constituirá componente curricular obrigatório, nos diversos níveis da educação básica, de forma a promover o desenvolvimento cultural dos alunos. A nova redação, promulgada pela Lei 12.287, ficou assim: O ensino da arte, especialmente em suas expressões regionais, constituirá componente curricular obrigatório nos diversos níveis da educação básica, de forma a promover o desenvolvimento cultural dos alunos. A ênfase nas expressões regionais é muito importante para que se recuperem as culturas locais como conteúdos a serem sistematizados e aprendidos nas escolas. Mas não é necessário restringir-se às produções regionais no desenho curricular, pode-se associar seu ensino ao dos conteúdos universais, por exemplo: ensinar sobre a arte de diferentes povos, culturas, tempos e lugares.

revistapontocom – Há professores suficientes para esta nova realidade?
Rosa Iavelberg - Não há professores suficientes para o ensino de arte, assim como acontece com outras disciplinas, entretanto, deve-se promover a formação para dar conta das demandas por uma educação de qualidade.

revistapontocom – Mas, afinal, o que é, na prática, o ensino da arte na escola? O que se pretende alcançar com ele? As escolas têm conhecimento disso?
Rosa Iavelberg – Não há clareza por parte de muitos professores, diretores e gestores de como se planeja e operacionaliza o currículo na área de arte. Na prática, com exceção feita, infelizmente há poucas experiências, mas que felizmente ocorrem em número crescente. Ainda se nota problemas recorrentes. Entre outros, podemos citar: a ausência de práticas de criação nas escolas em diferentes linguagens da arte: teatro, música, dança ou artes visuais, cada qual tratada disciplinarmente em sua especificidade; a arte a serviço de projetos de meio ambiente, saúde, datas comemorativas do calendário escolar e à aprendizagem de outras disciplinas sem ênfase em seus conteúdos próprios; a desvalorização da área denotada pela ausência de proposta de aquisição de livros pelo Programa Nacional do Livro Didático (PNLD); a ausência de avaliação dos projetos desenvolvidos nas escolas como situações de aprendizagem; e a pouca visita cultural e estudo de arte brasileira ou de artistas regionais.
Saiba mais

revistapontocom – Vivemos num mundo digital, tecnológico e midiático. Isto tem algum impacto sobre o ensino da arte na escola?
Rosa Iavelberg – As tecnologias contemporâneas devem ser estudadas e usadas em sala de aula, assim como a arte contemporânea não pode ser suprimida do desenho curricular, pois isto significa privar o aluno de participar do seu tempo. Podemos dizer que a arte das crianças e jovens, dos dias de hoje, pode usar dos meios tradicionais e também dos novos meios, por ser parte do mundo em que vivem.

revistapontocom – Como atrair crianças e jovens para o ensino tradicional da arte quando a mídia e a possibilidade de produzi-la está ao alcance de crianças e jovens?
Rosa Iavelberg – A criança e o jovem não deixam de se interessar por desenho, pintura, modelagem, jogo dramático, teatro se estas modalidades forem bem orientadas na escola. Além disso, elas podem se interessar por produzir arte com/a partir da inclusão das novas mídias, tanto na criação como na fruição.

revistapontocom – Podemos dizer que o ensino de arte assume, neste início do século XXI, outro lugar, outra responsabilidade?
Rosa Iavelberg – Sim. Pode-se compreender como valor a atenção dada ao estudo das produções regionais na Educação Básica, por intermédio da modificação na redação do §2 do artigo 26 da LDB 9394/96. Sabe-se que a lei por si não forma o professor, mas pode fazer a diferença na construção deste caminho e somar-se aos muitos esforços feitos pela melhoria da educação. Quando observamos avanços na lei esperamos práticas que os efetivem. É preciso não atribuir ineficácia ou o fracasso da lei à ausência de professores formados para colocá-la em prática nas escolas. O vão entre lei e ensino, teoria e prática, requer formação de professores, mas também melhoria no reconhecimento da profissão e diminuição nas resistências infundadas e mal justificadas sobre as inovações políticas (a alteração do §2) e as novas didáticas do século XX e XXI – orientação construtivista no ensino e no ensino da arte.


http://www.revistapontocom.org.br/conversa-com/o-ensino-da-arte-nas-escolas-do-seculo-xxi



Indicação do link e imagens: prof. Jabim Nunes de Souza

Postado por profa. Imaculada Conceição M. Marins