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sábado, 8 de dezembro de 2012

O Olhar de Sheila Leirner sobre a 30ª Bienal Internacional de São Paulo




Olá, colegas, arte-educadores! A 30ª Bienal Internacional de São Paulo - A Iminência das Poéticas - termina domingo, 09 de dezembro de 2012! A mostra agradou a alguns, não tanto a outros, divertiu a muitos e fez outros pensarem... Compartilho, aqui, uma interessante reflexão de Sheila Leirner, crítica de arte, brasileira, morando há alguns anos na França, e curadora de duas importantes Bienais de São Paulo, as de 1985 - 18ª Bienal - e 1987 - 19ª Bienal (acessem a página do grupo de Leirner no Facebook: "18ª e 19ª Bienal de São Paulo: eu estive lá!").  

SEM OUSADIA , PELO CONFORTO

Crítica de Sheila Leirner originalmente publicada no Caderno 2 do jornal O Estado de S. Paulo em 4 de novembro d
e 2012.

Exposição erra ao apostar em noções antigas e corriqueiras

30ª Bienal de São Paulo: A iminência das poéticas, Fundação Bienal, São Paulo, SP - 07/09/2012 a 09/12/2012

Paradoxalmente, a boa vontade com que a 30ª Bienal de São Paulo foi recebida pelos brasileiros poderia ser explicada pelas mesmas reservas do crítico do jornal Le Monde e dos artistas Gilbert e George: "A exposição é trivial, a sua visita causa uma sensação de familiaridade(...) temos a impressão de que nada mudou nos últimos 30 anos". De fato, ao contrário da estimulante Documenta (13) e da formidável Trienal de Paris deste ano, esta é uma mostra confortável, lisa e sem choque, com a sustentável leveza do déjà vu e sem a fricção que a descoberta provoca. Só pode agradar.

Arthur Bispo do Rosário, um dos artistas da 30ª Bienal

A repercussão nacional parece nascer de um "consenso" construído mais por uma vontade do que pela realidade. Contudo, o crítico francês deixa claro que a bienal é "tristemente" trivial, que a sensação de familiaridade é "menos reconfortante do que decepcionante"; e os artistas ingleses acrescentam que "é uma perda de tempo, todos estão apenas revivendo o passado; se fosse uma exposição de 1971 seria muito boa".

A outra razão para a boa acolhida deste conjunto "passadista e corriqueiro" e de seu programa e estrutura conceitual pretensiosos mas sem grande imaginação, talvez seja a condescendência com que se costuma julgar um empreendimento miraculado, são e salvo da derrocada financeira que quase o impediu de se realizar. Sobretudo num País onde a cultura não é um bem inato, precisa ser defendido e adquirido com enorme esforço. Dá para entender, porém... adeus objetividade!

O "conforto" tem um preço alto e aqui ele é proporcional à falta de cumprimento da vocação primordial da Bienal, que é ser o verdadeiro barômetro, geralmente desconfortável, da situação artística internacional. O papel desta "antifeira" tem a obrigação de ser revelado não apenas a partir da reflexão sobre os caminhos artísticos, mas sobretudo da prática mesma de torná-los compreensíveis para o público.

Sheila Leirner, numa foto de seu Facebook...

Público que, diga-se de passagem, no sábado e domingo seguintes à inauguração, já estava reduzido a algumas dezenas de "gatos pingados". É possível que os que começavam a visita pelo terceiro andar, vissem o seu entusiasmo cair proporcionalmente ao declive das rampas vazias. Por mais que estivessem dispostos a compreender o que contemplavam e que percebessem as óbvias relações entre as obras e algumas analogias de linguagem interessantes, a sua curiosidade provavelmente era neutralizada pelo caráter descritivo e desapaixonado do percurso. Como se a sua trajetória tivesse sido formada pela acumulação de um "especialista", mais com o objetivo de narrar ou classificar exemplos do que de provocar vivências.

A pobre e exangue expografia acentua o olhar "científico" do organizador. Sem energia, impacto e interpelação, não há compreensão para o leigo, apenas absorção de informações. Com exceção de algumas poéticas que justificam o título da mostra, simbolizadas pelo núcleo Arthur Bispo do Rosario. Mas este não tem nenhuma relação - como quer o curador - com o formalismo e a elegância enganosa do "estilo" Sheila Hicks de tapeçaria. Teria muito mais a ver com a experiência genuína de uma Eva Hesse. A mostra Bispo do Rosário, ademais, não possui o espaço que merece. Está espremida, num local exíguo, onde não se consegue distância ou voltear as peças extraordinárias sem esbarrar em alguém.


Diante deste e de outros exemplos - como o desequilíbrio na maciça (e excessiva) presença fotográfica, o peso dado aos artistas mortos e/ou históricos (entre os quais Waldemar Cordeiro, com obras pouco representativas), a falta de consistência da maior parte dos artistas contemporâneos -, a hierarquia dos espaços, a distribuição e o número aleatório de obras para cada artista ficam ainda mais absurdos. Artistas manifestamente medíocres com "minirretrospectivas" como se fossem "salas especiais", artistas maiores jogados em áreas abertas e vice-versa. É quase um feito: a primeira vez que se vê uma graduação e uma ordem distributivas sem sentido e sem leitura. Ao contrário do que se afirmou, fora das relações analógicas que saltam à vista, não se percebe "autor e pensamento por trás".

Centro. O grande equívoco da 30ª Bienal, no entanto, é ter medo da complexidade, não se colocar dentro dos paradoxos do contemporâneo, não aceitar os rastos da ambiguidade e desconhecer totalmente o fascínio que pode exercer. Pode-se dizer que Luís Perez Oramas é o extremo oposto de Okwui Enwezor ou de Carolyn Cristov-Bakargiev. O erro desta Bienal é não tomar em conta a evolução do mundo da arte de um ângulo além da própria criação, aquele que é simplesmente lógico do ponto de vista da geopolítica e da geografia dos poderes e das trocas.


A noção de centro na arte, que durante muito tempo foi essencial, está morta. Quem vem de onde? Não são mais as obras que assinalam isto, nem os materiais, nem as técnicas, e muito menos as poéticas. Não há mais tendências plásticas, estilos que estejam na moda em Nova York ou Berlim. Existe um assunto de reflexão coletiva, a circulação permanente de referências, imagens, ideias e interrogações em todos os continentes.

É inútil ir procurar signos de especificidades locais e ocupar 50% da bienal com artistas latino-americanos. Hoje é até mesmo desnecessário inscrever a produção em passados históricos particulares, pois ela participa do mesmo e generalizado presente. No campo artístico - tanto quanto o econômico, político ou religioso - em 2012 passa-se finalmente ao regime da mundialização, como já foi previsto nas últimas décadas. É o fim do centro e das periferias. E é o fim das bienais renitentes que, como a 30ª Bienal de São Paulo, não mudam de modelo e, portanto, não conseguem mais espelhar a sua época.

SHEILA LEIRNER É CRÍTICA DE ARTE, FOI CURADORA DAS BIENAIS DE SÃO PAULO DE 1985 E 1987

Jornal Estado de São Paulo - 04-11-2012


Luis Pérez-Orama, curador da 30ª Bienal

NOTA: O texto em PDF reproduzido do original (de Sheila Leirner): http://sheilaleirner.com/textos/C2SL-4-11-2012.pdf


Postado por Imaculada Conceição M. Marins

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Dicas para Professor: 30ª Bienal - Jogo Educativo


Olá, colegas arte-educadores! Olhem que interessante este jogo educativo que está no site da Trigésima Bienal de São Paulo, "A Iminência das Poéticas"!  Que tal desenvolver uma proposta de articulações/correlações de imagens ("constelações") com os seus alunos, a partir dos trabalhos de arte desta Bienal? As reproduções das obras para montar as "constelações" vem acompanhadas de informações pertinentes sobre cada uma delas! Vocês podem explorar essas informações com os alunos. Se a escola de vocês tem acesso fácil à Internet, o trabalho pode ser realizado na própria escola, senão, lancem como sugestão de trabalho "para casa" (que pode ser também na lan house etc.), individual ou em grupo! Vocês podem ainda, a partir das conceituações e propostas dos artistas, lançar um desafio à turma: a elaboração de uma proposta de arte contemporânea![*]

Acima, a "constelação" que criei para testar o jogo! ;-)

Testem também, é muito divertido! http://jogoeducativo.30bienal.org.br/jogo/ 


Profª Imaculada Conceição





O JOGO


"Constelações são conjuntos de estrelas próximas umas às outras. Foram criadas por astrônomos que, ao observar o céu noturno, perceberam que, traçando linhas imaginárias entre as estrelas, criavam os mais variados desenhos. O que você vê quando olha para o céu em uma noite estrelada? Em diversos lugares as coisas são organizadas a partir de um determinado critério. Nas bibliotecas, por exemplo, os livros costumam ser dispostos por assuntos e autores; nas escolas, as classes são divididas por idade. Nós mesmos, quando temos uma coleção, inventamos um motivo e uma forma especial para organizá-la. Que outras coisas podemos agrupar?


 Na 30ª Bienal – A iminência das poéticas, a curadoria pensou em constelações, nas quais as obras de artistas se relacionam de alguma maneira. Sua disposição no espaço, a proximidade ou distância entre as obras nos ajudam a perceber novos aspectos dos trabalho, suas semelhanças ou diferenças. Quando nos deparamos com uma obra de arte, às vezes, pensamos sobre a forma como lidamos com as palavras no nosso dia a dia, sobre as coisas que sentimos e acreditamos. Podemos também pensar por que guardamos coisas de um jeito ou de outro, pensar se o significado delas se transforma quando mudam de lugar. Talvez ao observarmos algumas obras, nos lembremos de quando andamos e começamos a observar o mundo a nossa volta, de quando festejamos e comemoramos algo. Algumas constelações nos levam a refletir sobre o que vemos quando parece que não há “nada” para ver ou sobre o que acontece cada vez que deixamos que algo aconteça. Existem tantas formas de juntar artistas quanto de fazer desenhos com as estrelas. Que tal criar a sua própria constelação com obras de artista da 30ª Bienal – A iminência das poéticas? 

Você está convidado a criar sua própria constelação, publicá-la em mídias sociais, mostrar a seus amigos e descobrir constelações criadas por muitas outras pessoas."





REFERÊNCIAS:
Textos e imagens reproduzidos de "Trigésima Bienal - Jogo Educativo": http://jogoeducativo.30bienal.org.br/jogo/ (ver o passo a passo no link)


[*] Ano passado, realizei um trabalho com os meus alunos do ensino fundamental II a partir do conceito de "efemeridade" na arte contemporânea...
http://artemariopiragibe.blogspot.com.br/2012/01/propostas-de-arte-efemera.html (cliquem no link se quiserem conhecer).


Postado por: Imaculada Conceição M. Marins

terça-feira, 11 de setembro de 2012

30ª Bienal – Programação desta semana


Repassando...
(informações enviadas por Jacqueline Mac-Dowell)

30ª Bienal – A Iminência das Poéticas (Parque Ibirapuera, portão 3, São Paulo)
Programação da semana de 11 a 16 de setembro de 2012


Conversa de artista com professores
14 de setembro, às 20h



O artista e pesquisador Pedro França conversa com jovens, professores e interessados sobre a arte e a vida contemporânea.


Leitura de poesia para crianças e famílias
15 de setembro, às 11h


Aos sábados pela manhã crianças, pais e famílias serão convidadas a conhecer e se divertir pelo universo da poesia. Ateliê com Rui Proença.


Ateliê com artista convidado - Giuliano Tierno e Ângela Castelo Branco
15 de setembro, ás 15h


Aos sábados, sempre às 15h, artistas convidados pelo Educativo Bienal oferecerão oficinas aos visitantes da mostra nos Ateliês da 30ª. Giuliano Tierno e Ângela Castelo Branco promovem o Ateliê Literário Móvel, o segundo de uma série de quatro encontros, entre 08 e 29 de setembro.


Anna Ostoya e Liz Magic Laser apresentam Imprint Nº 2 no MIS
Dia 16, às 19h


Filme que mostra o registro das atividades empreendidas pelas artistas, que unem noções do processo artístico, busca pelo lazer e comportamentos neuróticos. Entrando em espaços comerciais, Laser e Ostoya procuram rearticular a conduta do consumidor.



REFERÊNCIAS:

1 - Portal Trigésima Bienal de São Paulo - A Iminência das Poéticas: http://www.bienal.org.br/30bienal/pt/Paginas/default.aspx

2 - Álbum do Facebook Bienal São Paulo: http://www.facebook.com/bienalsaopaulo





Postado por: Imaculada Conceição M. Marins